Segundo o Houaiss, uma coisa que denota estranheza, transgressão da verdade sensível, da razão, ou que pertence ao domínio do sonho, da imaginação, do absurdo é uma coisa surreal.
Pra mim, surreal é o que acontece no metro.
Eu gosto de andar de metrô de São Paulo. A tempos que deixei o carro na garagem e optei pelo transporte de massas, talvez na tentativa de diminuir a minha própria. É claro que eu não tenho nenhum tesão em andar em metro lotado, por isso acordo mais cedo, e cada dia tem sido mais cedo, mas algumas vezes o sono é tanto que eu me permito alguns vários minutos à mais no chuveiro.
Eu sei que a água está acabando, mas foda-se, aqui no centro aonde trabalho, tem várias secretarias de estado e órgãos públicos, e ao passar por aqui bem cedinho (nem tanto assim) não é dificil de ver alguém lavando a calçada de várias delas com a mangueira. Também não é dificil ver os motoristas lavando os carros dos grandões (em pleno calçadão, aonde eles nem deveriam estar) e tudo o mais.
Os carros não deveriam estar ali mas estão. E os caras, diretores, superintendentes e sei lá mais o que dessas empresas públicas ainda se irritam quando algum pedestre demora a sair da frente para que eles passem. Quando o Lars Grael era secretário, ele parava na Rua Liberó Badaró, lá em baixo e subia uma ladeira considerável, principalmente se considerar-se que ele não tinha pernas. Esses filhas da puta não podem. Precisam ser deixados e buscados na porta feito criancinhas que vão para a escola. Ai fecha o parentêse dos filhas da puta que deveriam dar o exemplo mas não dão.
Voltando ao assunto da água: se esses filhas da puta não fazem a parte que lhes cabe, de vez em quando eu também não faço a minha. E se um dia todos morrermos de sede, pelo menos eu vou estar limpinho. É meio surreal, mas é o que penso. Ai fecha o parentêse da água. A propósito, que palavra feia do caray esse parentêse.
E voltamos ao assunto do metro. As vezes coisas surreais acontecem no metro. Hoje por exemplo, hoje foi um dos dias que eu me permiti dormir um pouco mais no chuveiro por conta disso quando cheguei o metro estava um pouco mais cheio. Não muito, mas consideravelmente mais cheio. Somado a algum problema na linha ou coisa que o valha durante o trajeto, ao chegar na Sé o negócio todo estava um inferno. E foi ai que o negócio se deu. Eu nem sei direito como começou já que estava usando meu dispositivo anti gente também conhecido como I-Phode, ops, I-Pod. Quando percebi uma multidão se afastando meio que correndo, já puxei os fones para tentar entender.
Já percebi logo que era briga. Normal, nada de mais, sempre tem briga no metro. 3 moleques grandes contra um tiozão mais ou menos. Geralmente é um contra um… 3 eu nunca tinha visto. O tiozão começou apanhando mas no final das contas, teve que ser seguro para parar de bater nos moleques folgados. Parecia filme ruim de karatê. Muito surreal mesmo. O que era mais pitoresco é que durante o tumulto todo, que durou coisa de 1 minuto se tanto, um outro maluco com cara de boliviano tocava uma musica bem antiga (Luar do sertão?) em uma pan flute. Isso sim é que é surreal. Eu nem sei se foi sonho, se foi, ainda estou sonhando que escrevo um post.
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